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  • Foto do escritorRaíssa Corbal

2020: quando o atípico se tornou rotina




· Por onde começar?

Eu gosto de finalizar o ano com uma reflexão sobre o que foi vivido e aprendido. Mas confesso que 2020 está chegando ao fim, e é possível que eu ainda nem saiba externalizar a experiência que foi esse ano.

De qualquer maneira, vou tentar colocar algumas palavras juntas, e, quem sabe, elas farão sentido para você também.


· Três meses de...” normalidade”?

Esse ano começou com muitas novidades a nível profissional. Foram boas notícias (ainda não efetivadas de forma apropriada nem compartilhadas com você por conta do que esteve por vir no decorrer do ano).

E acredito que, para muitas pessoas, a sequência dos outros anos se repetiu: Ano Novo, trabalho/férias, Carnaval...


· ...

Pois é. Ela chegou aqui no Brasil. Acredito que março tenha sido o mês o qual as pessoas começaram a sentir a presença da pandemia no país.

Como eu falei, a ideia aqui é de refletir sobre esse ano. Não vou fazer uma retomada cronológica dos acontecimentos, até porque já o vivenciamos uma vez (e já foi o suficiente!).

Quando penso nesse contexto, a primeira palavra que me vem à cabeça é: mudança.

Pois é!

Mudança.

O desespero com todas as adaptações exigidas pela pandemia (uso de máscara, álcool em gel, home office, instabilidade econômica, etc.) desestruturou muita gente. Compreensível. Afinal de contas, toda mudança exige um período de adaptação.

E é aí que as coisas complicam para muitos de nós.

Quando a mudança vem como veio em 2020, de maneira imposta, nossa sensação de controle vai para o espaço. E isso é um grande fator para a ansiedade.

Quando construímos a nossa rotina, nós informamos ao nosso cérebro que temos controle sobre a situação. Afinal de contas, nós sabemos a atividade que vem a seguir, ou para onde teremos que ir em seguida. Claro que existem imprevistos. Mas eles não costumam ser recorrentes, e, geralmente, não constituem uma ameaça à nossa segurança.

Mas quando a mudança nos é imposta, o sinal de alerta do nosso cérebro é ativado. E ele interpreta aquela situação como perigosa.

E nesse caso, se pensarmos no contexto como um todo, havia realmente um risco.

Diante disso, chego ao principal questionamento que permeou minhas reflexões pessoais:


· A vida me deu limões... e agora?

Esse foi um grande foco e uma importante prática esse ano para mim. Buscar coisas pelas quais agradecer diante de todo o quadro pelo qual estávamos passando.


Você também praticou essa mudança de perspectiva esse ano?


Para aqueles que tiveram o privilégio de permanecer em isolamento social, mudar para o home office, “perder” o convívio pessoal com os colegas de trabalho, dividir o mesmo ambiente entre trabalho, família e lazer, se tornou um grande desafio.

Para aqueles que não tiveram essa opção, e continuaram a ir para o trabalho, o medo se tornou companhia constante.

Pessoalmente, minha ferramenta de saúde emocional foi (e continua sendo, pois já a usava antes desse ano) a escrita.

Isso mesmo!

Ao final de cada dia, tirar alguns minutos para pensar no dia que passou e encontrar coisas, situações, pessoas, momentos pelos quais eu me sentia agradecida, e colocá-los no papel. Esse simples exercício nos mostra que, apesar do contexto macro no qual estamos inseridos, ainda podemos ter controle sobre a perspectiva que adotamos frente às circunstâncias.

Exemplo?

Mais um dia de ida ao trabalho: “que horrível! Colocar minha saúde em risco mais uma vez” / “diante de tudo que está acontecendo e tanto desemprego, continuo no meu ofício! Que bom!”.

Um exemplo aleatório, eu sei. Mas é só para ilustrar o que falei sobre a escolha de perspectiva, mesmo não tendo controle sobre a situação. Lembrando que não existe certo e errado aqui, ok? O que existem são percepções, que podem trazer consequências mais ou menos saudáveis para a sua saúde.

Isso, você pode escolher! ;)

E foi assim que esse ano foi experimentado por mim. Acredito que tenha sido a experiência mais concreta e mais consciente da frase “um dia de cada vez”.

Claro que o método da escrita foi só um exemplo de ferramenta que uso diariamente. Dedicar um tempo à minha saúde todos os dias por meio de lazer, boa alimentação, exercícios, terapia, vídeo chamada com familiares e amigos, entre outras atividades, trouxeram um pouco de estabilidade a esse ano tão atípico.


· Borracha, ou negrito?




Chegamos ao finalzinho do ano (escrevo esse texto dia 30.12.2020, à título de informação aos eventuais leitores do futuro), e o que mais escuto e leio é: “acaba logo, 2020. Não aguento mais coisa ruim”.

E eu entendo o porquê desse desejo.

Mas gostaria de finalizar esse texto com um pedido: não passe a borracha nesse ano por conta das dificuldades vividas.

Se esquecemos o que passou, aumentamos a probabilidade de repetir erros já cometidos anteriormente.

Se esquecemos que prevenir é melhor do que remediar, demoramos a tomar as precauções necessárias de imediato em uma próxima necessidade.

Se não paramos para analisar nossas ações em momentos de dificuldade, ignoramos aprendizados importantes.

Se não paramos para pensar nas pessoas que não pudemos visitar durante o isolamento, não sentimos aquela dose extra de gratidão pela presença delas na próxima oportunidade de visita.

Se não paramos para sentir a perda daquelas que se foram, não compartilhamos da dor que, na possibilidade de vivência de uma próxima catástrofe, nos fará dobrar os cuidados com nós mesmos e com os outros.

Uma das coisas que 2020 pode nos deixar de legado é a consciência de que não temos controle sobre o que nos é imposto, mas somente sobre como reagimos à essas imposições. E isso, por si só, pode fazer uma grande diferença.

Que venha 2021!

E que sejamos atentos às nossas ações para fazermos dele, o melhor ano possível.













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